ALEITAMENTO MATERNO: UMA OBRIGAÇÃO?

O bebê necessita de uma série de cuidados para ter um desenvolvimento psíquico saudável, e a amamentação constitui apenas um desses cuidados.
Não devemos encarar o leite materno só como alimento enriquecido com os melhores nutrientes para o desenvolvimento físico do bebê. O aleitamento é muito mais do que isso: representa uma experiência única, repleta de sensações, na qual o vínculo entre mãe e bebê é reforçado pelo contato corporal, apego e, principalmente, pelo afeto, que proporciona segurança a ambos. Mas nem sempre essa experiência se mostra satisfatória e prazerosa. Em alguns casos, o aleitamento feito com mamadeira pode ser até mais compensador para o desenvolvimento psíquico do bebê do que o realizado ao seio materno.
Outras necessidades do nenê incluem a rotina, a previsibilidade e a presença integral de alguém – seja a mãe ou outra pessoa – capaz de realizar essas tarefas. Quem deve prestar esses cuidados é a própria mãe, ou seja, a pessoa mais capacitada para tal função. No entanto, nem sempre isso é possível.
A amamentação, assim como outros cuidados prestados ao bebê, deve ser feita com regularidade, levando em conta a personalidade dele, bem como suas preferências e necessidades.
É importante dizer que toda mulher é capaz de amamentar seu filho ao seio, porém, isso deve ser prazeroso tanto para ela como para ele. A partir do momento em que isso se torna algo obrigatório ou imposto, perde sua função e deixa de ser bom, pois a relação precisa ser de integração e encontro. Se houver muitas dificuldades, a amamentação feita por mamadeira pode ser uma ótima solução e representar um grande alívio para ambos.
A amamentação deve ser realizada de forma natural, e a mãe que estiver envolvida com seu bebê saberá intuitivamente como fazê-lo. Nesse momento, ela precisa filtrar as influências e palpites de terceiros e confiar no que sabe de seu filho, justamente por conhecê-lo. Mas, caso tenha dificuldades, consultar um especialista pode ajudá-la a sentir-se mais segura para exercer sua função materna com confiança e serenidade.
Por Cynthia Boscovich

A FRUSTRAÇÃO DE SER MÃE E NÃO CONSEGUIR AMAMENTAR

Sabemos que a amamentação é até certo ponto bastante simples, justamente por ser algo natural, inerente ao vínculo da mãe com o bebê. Entretanto, essa tarefa apresenta alguns pormenores que necessitam de cuidado e orientação.
Fala-se muito sobre o preparo dos seios para que a amamentação seja bem-sucedida. Isso, porém, não significa que as mães que não prepararam os seios durante a gravidez não conseguirão amamentar seus bebês, e tampouco significa que as que se prepararem se sairão melhores, pois o êxito do aleitamento materno depende de inúmeros fatores.
O aleitamento materno bem-sucedido envolve a mãe, o bebê e o ambiente no qual estão inseridos, e nesse ambiente encontra-se também o pai, figura muito importante e necessária para que a mãe sinta-se segura e amparada para dedicar-se aos cuidados com o recém-nascido. No início de vida do bebê, o mundo deve-se adaptar a ele para que este sinta que o mundo foi ele quem criou. Na amamentação podemos perceber isso com muita clareza. Quando a mãe amamenta o bebê, ele sente que o seio materno é a extensão da própria boca, como se o seio aparecesse no momento exato em que dele necessita. Trata-se de uma experiência muito rica e importante para o desenvolvimento psíquico do bebê, mas para que tenha esses aspectos positivos, a mãe deve estar totalmente envolvida nesse processo de forma natural e prazerosa.
As pessoas envolvidas nos cuidados com o bebê, invariavelmente se remetem à experiência de cuidados que receberam enquanto bebês. Esse processo mobiliza questões muito primitivas e inconscientes, que deixaram marcas corporais e psíquicas, boas ou não. Sendo assim, fica mais fácil compreender o porquê de algumas mães não conseguirem sentir prazer nessa tarefa ou até mesmo a realizarem de forma insatisfatória ou, como ocorre com muitas chegarem até a desistir do aleitamento.
Percebo que muitas mães se sentem culpadas e frustradas pelo fracasso do aleitamento. A sociedade cobra que as mães amamentem os filhos e estejam realizadas com a maternidade. No entanto, observo que isso nem sempre é possível. Nesses casos, é perfeitamente compreensível e saudável para o bebê que o aleitamento seja feito por meio de mamadeira ou de qualquer outra forma, pois quando o aleitamento materno se dá de modo não prazeroso ou com muitas dificuldades, já perdeu sua função principal que é proporcionar a integração do bebê, independentemente dos aspectos nutricionais. A experiência do aleitamento por mamadeira pode ser um grande alívio para mães e filhos.
As mães precisam ser muito bem orientadas para que se sintam amparadas em suas escolhas relacionadas aos cuidados com o bebê, sendo um deles o aleitamento materno. É claro que a boa orientação no início é muito importante, pois contribui e incentiva as mães a não desistirem, mesmo que os primeiros dias não sejam muito fáceis e dependam da adaptação não só do bebê mas também da mãe. É possível que ocorram dores, decorrentes de o bebê não fazer a “pega” adequada ou dos ajustes relacionados à quantidade de leite ser excessiva ou insuficiente. Além disso, alguns cuidados devem ser tomados pela mãe, como por exemplo a ordenha do leite, o bom posicionamento do bebê ao seio, entre outras diversas orientações que se fizerem necessárias nesse momento inicial.
O início de vida saudável para o desenvolvimento emocional do bebê requer paciência dos pais para que tudo venha a transcorrer de forma suficientemente boa.

Por Cynthia Boscovich

Mãe Perfeita?

Nossa sociedade cobra perfeição o tempo todo. Temos de ser bons em tudo, como pessoas e profissionais. Dificuldades e problemas muitas vezes são fonte de angústias, ansiedade e até depressão.
E as mulheres sofrem cada vez mais cobranças. Estão no mercado de trabalho, que é extremamente competitivo, e precisam desempenhar suas funções como donas de casa da melhor maneira possível. Além disso, devem cumprir todas as obrigações que têm como esposas e mães. Para muitas, a escolha de ser mãe pode vir como fruto dessas cobranças e quando se dão conta, já estão com o filho nos braços, vivendo as agruras da maternidade.
Pouco se fala da renúncia, das dificuldades, das angústias resultantes da cobrança que pode ser externa ou até mesmo interna. E a culpa caminha ao lado de tudo isso.
Os bebês têm necessidades que precisam ser atendidas por um adulto para que possam sobreviver e se tornar física e psiquicamente saudáveis. E esperamos que quem preste esses cuidados seja a mãe, a pessoa mais apta e preparada para esse papel. Contudo, nem sempre isso é possível, pois as mulheres de hoje são muito diferentes daquelas de gerações anteriores. Engravidam mais tarde e têm de aliar essas obrigações a inúmeras outras, principalmente à profissão.
Mas o que é ter êxito nas funções maternas? No aleitamento, por exemplo, função destinada exclusivamente às mães, significa estar presente, colaborar para que o bebê faça uso do seio da forma mais completa possível, pois este não é só uma fonte de alimento e nutrição. Essa experiência inclui uma infinidade de benefícios que não contribuem apenas para o desenvolvimento físico da criança. Um aleitamento materno bem-sucedido representa também a garantia de sua saúde psíquica. Muitas vezes, cobranças externas em relação ao aleitamento impedem a mãe de realizá-lo da melhor maneira, pois ela pode cumprir essa função exclusivamente para corresponder à expectativa familiar, social e até mesmo à sua própria, sem perceber que talvez esteja realizando a tarefa de maneira pouco espontânea ou até mecânica, sem ter prazer com isso. Talvez amamentar o bebê com mamadeira signifique um alívio para ela e consequentemente para o filho, que absorve suas emoções como uma esponja. Ele não entende racionalmente o que estas significam, mas sem dúvida consegue senti-las desde muito cedo. Vale ressaltar que o aleitamento materno constitui apenas um exemplo, em termos de cobrança, entre tantos outros sofridos pelas mães.
Mas como se tornar boa mãe com tantas exigências e obrigações?
Na nossa sociedade, ser “boa mãe” parece sinônimo de “mãe perfeita”. E lidar com isso não é nada fácil.
Na relação com o bebê, a mãe precisa ser real e estar inteira, pois o bebê necessita dela assim.
O que chamo de uma mãe uma mãe real, de verdade, precisa, antes de mais nada, assimilar o fato de não ser boa o tempo todo, pois afinal de contas é humana. A “mãe boa” precisa falhar, até mesmo para que o bebê se desenvolva. É claro que as falhas não devem se tornar o padrão de cuidados – isso seria um desastre psíquico. Mas o que precisamos ter em mente é que viver a maternidade significa também aceitar a não perfeição e a inclusão das dificuldades, dúvidas, angústias, problemas e medos. A “mãe boa” deve também aceitar que não precisa estar feliz o tempo todo. E isso não quer dizer que ela não possa ser feliz.
Cabe a cada mãe encontrar a resposta à pergunta formulada no início deste texto, sobre o que uma mãe deve fazer para ser perfeita. De minha parte, posso adiantar que o primeiro passo seria: “aceitar que ela não é”.

Cynthia Boscovich
Psicóloga clínica, psicanalista. Além de atender adolescentes e adultos em seu consultório, possui um trabalho específico com grávidas, mães e bebês, na área de prevenção e tratamento.
www.cuidadomaterno.com.br
Tel. (11)5549-1021

MÃES CONTROLADORAS

A maternidade é uma experiência única e todos sabem que inclui momentos fáceis e difíceis, assim como de felicidade e de angústia.
Ser mãe é simplesmente estar atenta a muitas questões, e como diz o ditado: “É padecer no paraíso”.
Mas que relação tem tudo isso com as mães controladoras?
Na verdade, o que percebo é que muitas delas, para se sentirem firmes e fortes nessa função, precisam estabelecer certo controle sob
re os filhos, o que, em alguns casos, nem sempre é saudável para o desenvolvimento da autonomia e tampouco da personalidade deles. Vale ressaltar que estou falando de controle, muito diferente dos limites, que são fundamentais na educação dos filhos.
A palavra controle, segundo o dicionário, significa, poder, domínio sobre alguém ou algo; domínio da própria vontade ou das emoções. E controlar significa, submeter a exame e vigilância; agir com restrição sobre algo ou alguém.
A partir disso, podemos pensar no porquê de algumas mães – e pais também – terem a necessidade de estabelecer um controle além do necessário sobre os filhos. O que me ocorre é que quando precisamos impor nossa vontade ao outro, agindo dessa forma com dominação, estamos impedindo que essa pessoa se desenvolva de modo psiquicamente saudável, pois podemos cercear sua criatividade.
É possível observarmos em alguns bebês essa criatividade e autonomia limitada, em face do supercontrole da mãe que, muitas vezes, nem percebe que está causando um mal ao filho.
Quer se trate de bebê, criança ou adolescente, a personalidade individual é facilmente percebida sob o controle materno excessivo, e nesse momento, entra em ação a força de cada um. Por esse motivo é que muitas vezes apostamos muito mais nos bebês, nas crianças ou nos adolescentes que movimentam o ambiente, pois essa atitude denota força e capacidade de lutar contra uma invasão. Contudo, tais movimentações necessitam de olhar cuidadoso, pois podemos já estar falando de sintomas instalados, causadores de problemas e conflitos familiares.
Os pais precisam estar atentos às necessidades dos filhos e com isso apenas caminhar com eles, pois sozinhos são capazes de evoluir e desenvolver a criatividade a partir deles próprios. E isso não quer dizer que devam ser ausentes ou negligentes, pois caminhar lado a lado não é sinônimo de “caminhar por” ou “abrir mão de”.
Entrar em contato com as próprias questões pode ser uma forma de perceber a relação que está estabelecendo com o filho, assim como o lugar que ele representa em sua vida, razão pela qual um processo terapêutico pode ser muito rico e elucidativo nesse momento. Muitas vezes os filhos fazem os sintomas, mas quem necessita de cuidados e orientação e, talvez até tratamento, são os pais.

Cynthia Boscovich
Psicóloga clínica, psicanalista. Atende adolescentes e adultos em seu consultório, e possui também um trabalho específico com grávidas, mães e bebês, na área de prevenção e tratamento.
www.cuidadomaterno.com.br
Tel. (11)5549-1021

OVÁRIOS POLICÍSTICOS NEM SEMPRE PODEM LEVAR A INFERTILIDADE

A síndrome dos ovários policísticos ocorre em mulheres na faixa etária de 30 a 40 anos, sendo que de 20% a 30% das mulheres podem desenvolver cisto nos ovários. O cisto no caso, é uma pequena bolsa de 5-6mm que contém um material líquido.
“Os cistos surgem com o desequilíbrio hormonal que acontece no corpo da mulher a partir da puberdade até a menopausa. Esse desequilíbrio faz com que o organismo produza mais andrógenos (hormônios masculinos) que interferem diretamente no processo de ovulação e aparecimento dos sintomas citados”, explica o ginecologista Joji Ueno, doutor em medicina pela Faculdade de Medicina da USP e Diretor da Clínica Gera.
A diferença do cisto para os ovários policísticos está ligada ao tamanho e número de cisto. Normalmente, na síndrome dos ovários policísticos são pequenos cistos, porém, em grande quantidade. Já os cistos de ovário são únicos e maiores. Um exemplo, o ovário tem, em média, 9 cm³ e o ovário policístico chega a ter 20 cm³.
As mulheres que sofrem desse sintoma enfrentam problemas sérios e que podem até afetar a saúde. Ciclos menstruais irregulares, menstruação com pausas de dois a três meses, hirsutismo, no caso, aumento dos pêlos no rosto, seios e abdômen, excesso de acne ou até mesmo a infertilidade.
A infertilidade acontece devido às mudanças provocadas no corpo da mulher pela síndrome dos ovários policísticos, sendo responsável por cerca de 30% de infertilidade. Ela ocorre porque a mulher passa a produzir mais hormônios masculinos aumentando as chances de ter um ciclo não ovulatório.
A mulher deve estar atenta a todos esses sintomas, pois quando mais cedo ela realizar um diagnóstico para verificar a existência da síndrome as chances de ocorrer uma infertilidade são menores. Além disso, ovário policístico é considerado no histórico clínico uma doença crônica e por isso, é comum a mulher com ovário policístico consultar um especialista, em busca de tratamento em todas as etapas da sua vida.
Tratamento
A descoberta da doença ocorre por meio de diagnósticos e o tratamento é sintomático. Os exames podem ser feitos pelo ultrassom, em seguida exames de dosagem hormonal ou ainda por meio do exame de toque, feito em visitas de rotina ao ginecologista.
O tratamento ideal varia de mulher para mulher, alguns fatores como: a idade e avaliação dos sintomas influenciam no tratamento. O mais importante dentro do tratamento é o médico descobrir qual é o sintoma e o que mais incomoda, a resposta dessas simples perguntas podem garantir um tratamento eficaz.
"Como se trata de uma doença crônica, não há cura da síndrome e, sim, tratamento dos sintomas”, afirma o ginecologista.
A pílula anticoncepcional pode ser uma alternativa para as jovens, além de regularizar os ciclos menstruais a pílula ajuda a amenizar as dores.
Já as mulheres que possui a doença e deseja engravidar, o tratamento mais indicado é estimular a ovulação. A maioria das mulheres responde bem ao tratamento e conseguem engravidar.


De olho na balança
A obesidade pode ser um dos principais fatores que levam o surgimento do ovário policístico. Estar acima do peso inibe a ação da insulina na célula aumentando o nível de glicose no sangue, exigindo que o pâncreas produza mais insulina.
A estimativa dos médicos é que entre 40 a 50% das mulheres com (SOP) são obesas, além disso, a obesidade pode desencadear outros riscos a saúde como diabetes e doenças cardiovasculares. Nestes casos, as mulheres obesas com a síndrome tem uma dificuldade maior em emagrecer devido às falhas na lipólise dos adipócitos secundários e também porque á presença de resistência á insulina.
Recomendações
Infelizmente ainda não há cura para a (SOP), mas o tratamento ainda é a melhor indicação para esses casos.
Consulte regularmente o seu ginecologista, não deixe de fazer exames preventivos. Não se descuide e esteja sempre atenta a qualquer sintoma. Controle o seu peso. A obesidade pode prejudicar no tratamento. Mulheres com ovário policístico correm risco de problemas cardiovasculares na menopausa.
E lembre-se, fazer exercícios físicos e alimentar-se saudavelmente podem ajudar no tratamento.
Fonte- Ginecologista Joji Ueno, doutor em medicina pela Faculdade de Medicina da USP e Diretor da Clínica Gera.


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