Construindo e reforçando a responsabilidade

A hora do dever de casa é, sem dúvida, um dos momentos mais chatos para a maioria das crianças. Muitas choram, se recusam a fazer e dizem que não sabem a lição. E, quando os pais tentam ajudar, eles ainda reclamam que a mãe está explicando de um jeito diferente da professora.

Por outro lado, também há crianças que se tornam excessivamente ansiosas e preocupadas em fazer exatamente como a professora pediu, ou então, em mobilizar a família inteira em suas pesquisas e trabalhos.

Muitas coisas podem atrapalhar os deveres de casa como, por exemplo, a televisão, o vídeo-game ou atividades paralelas em excesso. Se os pais ajudam a limitar outras atividades com medidas razoáveis as crianças conseguem se organizar melhor e não correm o risco de prejudicar as tarefas escolares.

O objetivo do dever de casa é ensinar a criança a trabalhar por conta própria. Os pais não devem perguntar se ela tem dever de casa e nem oferecer ajuda sem que a criança solicite. Os pequenos aprendem a lição de ser responsável por suas tarefas escolares apenas através da experiência pessoal.

Se a criança estiver com um desempenho ruim na escola, restrinja ao máximo todo o tempo de televisão e vídeo-game durante a semana. Explique a seu filho que esses privilégios lhe serão devolvidos após o boletim semanal da professora para confirmar que ele entregou todos os deveres de casa e que as notas estão melhorando. A criança precisa entender que os pais estão fazendo isto para ajudá-lo a organizar melhor o seu tempo.

Juliana Zannin, que está cursando a segunda série do ensino fundamental, conta que não tem muitas dificuldades com a lição de casa, mas não gosta de ter de fazê-la todos os dias. “Adoro a minha professora, mas não gosto quando ela passa lição pra casa todo dia, pois não dá tempo de brincar”. A mãe de Juliana diz que ela é bastante estudiosa, porém não gosta muito de fazer os deveres de casa. “Tenho que ficar perguntando todo dia a ela se a professora passou lição para casa. Se eu não perguntar, ela não fala, às vezes deixa de fazer para brincar ou por outro motivo”, conta a mãe.

Uma excelente dica para os pais é ensinar a criança a fazer as tarefas mais difíceis primeiro. Reserve as fáceis para quando ela já estiver cansada. Resolva os pontos mais importantes em primeiro lugar. Se o tempo passar rápido, todas as prioridades vão estar concluídas. Faça o que é mais necessário primeiro e termine os itens opcionais depois, mesmo que eles sejam mais agradáveis.

É imprescindível que os pais reconheçam a importância dessa atividade e tenham paciência para ajudar a criança. Para suavizar esse momento, que pode se tornar prazeroso ao invés de negativo, jamais tome para si a responsabilidade de fazer as tarefas das crianças. Deixe que ele desenvolva sozinho seu dever de casa e tente ajudar somente quando ele pedir!

Comportamentos agressivos na criança muito nova

Em meio a tanta violência no mundo, uma das grandes preocupações paternas se dá quando a criança começa a manifestar comportamentos agressivos.

Todos nós, adultos e crianças, sentimos raiva em alguma situação, que é um sentimento honesto e normal.

Acontece que a criança muito nova, entre dois e cinco anos, ainda não sabe lidar com emoções mais fortes e significativas, está assimilando o que sejam regras sociais e limites e expressa o que a incomoda de modo nem sempre aceitável pela sociedade.

Da mesma forma que se elogia a criança no momento em que suas atitudes são positivas, é primordial que a repreenda ou mesmo castigue quando são negativas, para que possa aprender e diferenciar o comportamento positivo do negativo.

É claro que ela não aceitará a imposição dos limites sem resistência e até repetindo o comportamento não aceitável para testar a veracidade da proibição e a paciência e persistência dos adultos responsáveis.

Para isso, ela presta muita e total atenção no comportamento das pessoas que lhe são mais próximas e percebe se há consistência e coerência nos limites impostos, ou seja, se vale tanto para a mãe quanto para o pai, se é possível cumprir o determinado por eles e se é justo o que lhe pedem.

Nunca, em nenhum momento, independente da idade da criança, subestime sua capacidade de inteligência e compreensão. Ela sempre estará atenta a toda atitude e comportamento dos pais para sentir confiança e segurança em seguir seus ensinamentos.

Assim, é fundamental que os responsáveis por ela conversem entre si para que possam garantir e definir os rumos de uma educação saudável, dos limites a ensinar, para que nunca aconteça de um deles exigir e o outro abrir mão. A criança ficará confusa, desequilibrada emocionalmente, pois não saberá como agir e o que se espera dela.

O que fazer, então, quando perceber que a criança está com raiva. Em primeiro lugar, nomeie o sentimento que a incomoda para que aprenda, dizendo-lhe abertamente que sabe que está com raiva e que pode ajudá-la a se sentir melhor. Use palavras claras e de fácil entendimento, sem grande argumentação, pois depois de um tempo, a criança se entendia e desliga. Reafirme sempre o amor que sente por ela, pois seu maior medo é perder o amor dos pais e das pessoas de quem depende e ama.

Leve-a para um ambiente seguro, que não lhe ofereça perigo de forma alguma. De preferência o seu próprio quarto, se tiver. Pegue uma almofada e peça que a use da maneira que sentir vontade, esclarecendo que o objeto pode ser a pessoa ou a situação que a está incomodando. Pode, inclusive, socar a cama.

Outra forma de expressar a raiva é pegar uma latinha vazia e dizer para chutá-la até se cansar ou mesmo desenhar a raiva ou ainda escrever sobre ela numa folha de papel.

Estes exercícios de expressão emocional, faz com que a criança assimile que pode e deve colocar para fora a raiva, uma vez que não é saudável guardá-la dentro de si, mas expressá-la em situações controladas e dirigidas.

Resumindo, a agressividade na criança muito nova é uma forma de expressar que algo não está bem com ela e as pessoas ao seu redor devem ficar atentas para o que está ocorrendo de diferente e que não está sendo aceito.

Com a maturidade, estes comportamentos vão se rareando e tendem a desaparecer. Mas leva tempo, muito tempo, paciência e perseverança dos adultos responsáveis pela criança.

A conjuntivite em crianças e bebês

A conjuntivite é a inflamação da membrana ocular, acompanhada de vermelhidão e secreção. A causa da conjuntivite pode ser infecciosa, alérgica ou tóxica.



A conjuntivite infecciosa é transmitida, mais freqüentemente, por vírus ou bactérias e pode ser contagiosa. O contágio se dá, nesse caso, pelo contato. Assim, estar em ambientes fechados com pessoas contaminadas, uso de objetos contaminados, contato direto com pessoas contaminadas ou até mesmo pela água da piscina são formas de se contrair a conjuntivite infecciosa. Quando ocorre uma epidemia de conjuntivite, pode-se dizer que é do tipo infecciosa.

A conjuntivite alérgica é aquela que ocorre em pessoas predispostas a alergias (como quem tem rinite ou bronquite, por exemplo) e geralmente ocorre nos dois olhos. Esse tipo de conjuntivite não é contagiosa, apesar de que pode começar em um olho e depois se apresentar no outro. Pode ter períodos de melhoras e reincidências, sendo importante a descoberta da causa da conjuntivite alérgica.

A conjuntivite tóxica é causada por contato direto com algum agente tóxico, que pode ser algum colírio medicamentoso ou alguns produtos de limpeza, fumaça de cigarro e poluentes industriais. Alguns outros irritantes capazes de causar conjuntivite tóxica são poluição do ar, sabão, sabonetes, spray, maquiagens, cloro e tintas para cabelo. A pessoa com conjuntivite tóxica deve se afastar do agente causador e lavar os olhos com água abundante. Se a causa for medicamentosa é necessário a suspensão do uso, sempre seguindo uma orientação médica.

Sintomas da Conjuntivite

Os principais sintomas da conjuntivite são:

• Olhos vermelhos e lacrimejantes, devido à dilatação dos vasos sanguíneos locais;

• Inchaço (edema) do olho ou pálpebra, devido ao acúmulo de líquido no local;

• Sensação de areia ou de ciscos nos olhos;

• Aumento do lacrimejamento com a presença de secreção purulenta;

• Incomodo causado pela luz;

• Em alguns casos, febre e dor de garganta.

Causas da conjuntivite nas crianças e bebês

A conjuntivite pode ser causada por um vírus, uma bactéria, ou por uma reação alérgica. A infecciosa (por bactéria) é muito contagiosa. Se começa por um olho, com certeza afetará o outro. E é purulenta. Por outro lado, as virais e as alérgicas apresentam pouca secreção. Produzem lágrimas claras e aquosas e pálpebras inchadas.

Tratamento da conjuntivite nas crianças e bebês

Deve-se consultar sempre o pediatra. No caso de infecção, ele receitará um antibiótico ou um colírio. Nos outros casos, se tratará usando colírios antiinflamatórios e antihistamínicos. Enxaguar o olho com soro fisiológico e, para evitar contágios, não se deve compartilhar toalhas da pessoa afetada de conjuntivite.

Recomendações

Para prevenir o contágio, tome as seguintes precauções:

• Lavar as mãos frequentemente;

• Evitar aglomerações ou frequentar piscinas de academias ou clubes e praias;

• Lavar com frequência o rosto e as mãos uma vez que estas são veículos importantes para a transmissão de microrganismos patogénicos;

• Não coçar os olhos;

• Aumentar a frequência com que troca as toalhas do banheiro e sabonete ou use toalhas de papel para enxugar o rosto e as mãos;

• Trocar as fronhas dos travesseiros diariamente enquanto perdurar a crise;

• Não compartilhar o uso de esponjas, rímel, delineadores ou de qualquer outro produto de beleza;

• Evitar contato direto com outras pessoas;

• Evitar pegar crianças pequenas no colo;

• Não use lentes de contato durante esse período;

• Evitar banhos de sol.

A intervenção psicológica na ginecologia e na gravidez de risco

O psicólogo que trabalha com gestante de alto risco deve estar atento às várias condições de risco que estão associadas a estas gestantes, podendo atuar de forma preventiva para diminuí-los.

Murphy e Robbins, comentam que a gestação constitui um desafio adaptativo social e psicológico, tanto para as mulheres como para suas famílias. Mesmo numa gestação considerada normal e não complicada há um rompimento biológico e psicológico do indivíduo, uma alteração dos papéis de trabalho e familiares, estabelecendo-se importantes padrões interacionais entre pais e bebês. Considerando as gestações de alto risco, essas assumem um significado ainda maior, pois a gestação e o parto são cada vez mais vistos como precisando de intervenção médica. Se a gestação já é um desafio adaptativo, a gestação de alto risco representa problemas sociais e psicológicos ainda maiores para as pacientes.

Durante estas gestações difíceis emergem sentimentos como o temor pela sobrevivência do filho e pela própria vida, o distanciamento do bebê e dos preparativos relacionados ao nascimento, com o intuito de evitar sofrimento e o sentimento de culpa por não conduzir a gravidez de forma normal, além da falta de controle da gestação e do corpo.

Segundo o Ministério da Saúde, no conteúdo emocional da mulher entram em jogo fatores psíquicos preexistentes e atuais, os componentes da gravidez e os fatores ambientais. Estes conteúdos manifestam-se através da ansiedade, num mecanismo emocional que se estende durante toda a gravidez.

A ansiedade tem várias causas identificáveis para cada trimestre, mas que se intercambiam psicodinamicamente. Listam-se, entre elas, ambivalência, negação, regressão, introspecção, medo, etc. Como a condição de risco é diagnosticada durante a gestação, a grávida experimenta então, todas as reações próprias do vivenciamento do luto, pela “morte da gravidez idealizada” e surgem sentimentos de culpa, raiva e censura.

Murphy e Robbins relatam que conforme a gestante vai desenvolvendo um certo grau de acomodação às diversas modificações do contexto social e do equilíbrio psicológico, com freqüência reaparecem antigos conflitos, não resolvidos de forma adequada nos períodos desenvolvimentais anteriores. Por exemplo, as gestantes podem apresentar conflitos de autonomia com suas próprias mães, reativação da rivalidade com os irmãos ou ativação das dúvidas a respeito da sexualidade e fantasias perturbadoras a respeito de relações anteriores, com as quais lidava adequadamente antes da gestação, mas agora alteram as interações familiares ou provocam desacordos conjugais.

Segundo Soifer o sintoma da sonolência, favorecendo a regressão dos estímulos, revela-se proveitoso, além de constituir uma defesa biológica adequada, que proporciona ao organismo uma quota maior de repouso, necessária ao trabalho que inicia. Em conseqüência, convém animar a gestante iniciante a aceitar a necessidade de dormir mais durante os dois primeiros meses, já que com isso resolve várias situações ao mesmo tempo, por outro lado a insônia deve ser considerada como a expressão de uma situação externa de ansiedade frente a gravidez.

Segundo Maldonado, o temor de ter um filho monstruoso está ligado a imagem de uma educação distorcida; se a menina cresce com a noção de que o interior do seu corpo é cheio de coisas sujas e ruins (excrementos, sangue menstrual, etc), o que está contido dentro de seu útero também poderá ser sentido da mesma forma. Se o sexo é algo sujo e ruim, se a menstruação é repugnante, o filho – produto de todas as coisas – poderá ser igualmente vivido como repugnante ou monstruoso.

As gestantes que excluem as preocupações normais a respeito do feto em desenvolvimento manifestam um comportamento inadaptado, essa incapacidade de desenvolver uma aproximação emocional significativa com o feto em crescimento é uma inadaptação psicossocial, nessas situações as gestantes apresentam respostas muito abaixo ou acima das normais aos primeiros movimentos fetais, não manifestam interesse pelos batimentos cardíacos do feto, por sua posição in útero, apresentam regressão, podendo se mostrar reivindicativas, não-cooperativas, provocativas, hostis, passivas, controladoras ou desinteressadas pelo tratamento.

A hospitalização é um fator estressante, ainda mais para as gestantes de alto risco, representando um desafio adaptativo não somente para ela como para sua família. As gestantes com determinados riscos durante a gestação precisam ser hospitalizadas por longos períodos, para uma supervisão clínica cuidadosa. As gestantes que se sentem saudáveis geralmente apresentam problemas de adaptação à hospitalização, principalmente devido ao tédio, inquietude e irritação provocados pela obediência às regras e regulamentos do hospital. Muitas dessas pacientes têm medo da hospitalização, pois mesmo atualmente os hospitais ainda são considerados locais onde se morre.

Condutas normalmente adotadas para o tratamento da gestante de risco, podem contribuir para aumentar a crise e o estresse vividos não só por elas, mas também pelos seus familiares, gerando alterações pessoais e no ritmo familiar, dentre elas destacam-se o afastamento da mulher do seu domicílio, dos familiares, das atividades profissionais e domésticas. Evidenciam-se as dificuldades nas adaptações da gestante ao novo ambiente, às condutas hospitalares, aos hábitos culturais, às alterações emocionais, como solidão, ansiedade, tédio, depressão e medo; à sobrecarga de funções para os familiares onde normalmente o marido passa a assumir o cuidado com os filhos e com a casa.

As gestantes de alto risco apresentam características de aflição durante a hospitalização pré-natal, as principais preocupações envolvem o bebê, a saúde pessoal e a dos filhos que ficaram em casa, e o que vai acontecer com o parceiro. O que é menos verbalizado são os descontentamentos com as rotinas hospitalares, a depressão e a preocupação por não receberem informações satisfatórias a respeito dos planos de tratamento, a solidão, o desagrado com sua saúde e com a alimentação.

O repouso parcial ou total, a conduta normalmente adotada e aceita para o tratamento das intercorrências na gestação de alto risco pode gerar nas gestantes alguns efeitos que incluem problemas psicológicos decorrentes do isolamento e confinamento, como problemas musculares, alterações circulatórias, diminuição de energia, diminuição da capacidade mental e de concentração, tensão, exaustão, perda de peso e reações emocionais (choque, confusão, solidão, ansiedade, depressão, mudanças de humor e indisposição), que pode-se estender até o pré-parto.

É freqüente em gestantes que deixam os filhos em casa sentirem-se culpadas por não mais cumprirem as suas responsabilidades maternas, trazem grande ligação com os filhos que ficaram em casa e por ainda não terem estabelecido uma ligação com o feto, percebem a saúde do feto como menos importante do que a dos filhos, podendo se irritar com o feto porque este a impede de permanecer com a família, demonstrando pouca preocupação com ele e se preocupando mais com a família. Muitas vezes é difícil encontrar pessoas para cuidar dos filhos, o que obriga os membros familiares adultos e alterem suas rotinas, permanecendo em casa e cuidando das crianças.

De vital importância é o suporte psicológico que deve estar sempre ao lado da gestante e dos familiares, ouvindo-os sem julgamento, nem preconceitos, percebendo as reais necessidades e significados atribuídos a essa nova vivência, alterações de ritmo de vida e de papéis, colocando-se à disposição da gestante e de sua família.

O acompanhamento psicológico deve acontecer durante toda hospitalização da gestante e uma vez que esta tenha alta hospitalar o atendimento psicológico pode encerrar-se ou pode-se encaminhar, caso necessário, a gestante para atendimento ambulatorial. O atendimento psicológico deve-se se estender também à família da gestante, pois é de suma importância o suporte familiar como forma de prevenção de distúrbios psiquiátricos.

O atendimento domiciliar à gestante de alto risco é uma prática recente, visa reduzir o estresse advindo da hospitalização, buscando atender a gestante de uma forma humanizada, proporcionando atenção de acordo com sua realidade, facilitando sua participação ativa e estimulando sua solidariedade e o suporte familiar, através deste atendimento pode-se fornecer um cuidado compreensivo, holístico e centrado no cliente.

Médicos divergem sobre a necessidade de usar sabonetes íntimos diariamente

Sabonetes líquidos e lenços vaginais umedecidos têm invadido as prateleiras de farmácias e supermercados. Muitas mulheres já incorporaram esses produtos à higiene diária, mas nem todos os especialistas acreditam que eles sejam mesmo necessários.

Hábitos de higiene íntima, por incrível que pareça, nem sempre são ensinados de mãe para filha. Em geral, o máximo que as meninas escutam é que limpeza da vagina deve ser feita "de frente para trás". É incomum que as mães expliquem como se deve lavar a vulva e provavelmente isso não acontece porque elas próprias não receberam as mesmas orientações de suas mães.
Há 30 anos ou mais, as mulheres usavam mais saias, depilavam-se menos, usavam mais tecidos naturais como o algodão e não passavam horas sentadas no carro durante o congestionamento ou no computador. A mudança destes hábitos modificou a defesa natural do corpo da mulher, segundo o ginecologista Eliano Pellini, chefe do Setor de Saúde e Medicina Sexual da Faculdade de Medicina do ABC, na Grande São Paulo. "Infelizmente é difícil para a mãe passar essa informação para a filha desvinculada da conotação sexual. Ela ainda tem receio de que a menina tenha interesse por essa área do corpo", pondera.
Para o ginecologista Newton Sérgio de Carvalho, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), antes de escolher o que usar e qual a finalidade que o produto deve ter, outro tabu deve ser quebrado. Para ele, é fundamental que mulher se familiarize e conheça o próprio corpo. "É importante que a mulher saiba que corrimento nem sempre é doença, às vezes faz parte de um desequilíbrio momentâneo da flora vaginal". Ele acrescenta que algumas mulheres têm a região mais úmida do que outras.
Corrimento: quando é normal?
Os corrimentos podem ser causados por fungos ou bactérias, mas as características que indicam que a umidade se transformou em doença são bem específicas. Alguns desses microorganismos já habitam a flora feminina normalmente, mas sua proliferação descontrolada pode causar excesso de secreção, cheiro forte, coceira e irritação. Qualquer desses sintomas pode indicar a necessidade de tratamento e o único profissional habilitado para isso é o médico.
Como ensina a ginecologista Heloisa de Medeiros, a vagina conta com células que estão em constante renovação. "A presença de glândulas, pêlos e a própria transpiração podem interferir no cheiro, na coloração e na quantidade do fluxo vaginal", diz.
Os tipos mais comuns de doenças que provocam corrimentos são a candidíase, a tricomoníase e a vaginose bacteriana. A primeira é causada pelo fungo Candida albicans, que provoca muita coceira, secreção espessa e irritação local. Ele habita a flora vaginal e é preciso descobrir a causa do aumento repentino da população para tratar o problema.
Na tricomoníase, causada pelo protozoário Trichomonas vaginallis, a forma de contágio é a relação sexual e exige também o tratamento do parceiro pelo uso de quimioterápicos ou antibióticos. Outro distúrbio muito comum é a vaginose bacteriana, causada por uma bactéria anaeróbia (ou seja, que se reproduz sem precisar de oxigênio) e que causa um corrimento de cheiro muito desagradável em contato com o sangue ou o sêmen.

Nenhum desses distúrbios pode ser tratado com uso de sabonetes líquidos, mas a boa higienização auxilia no tratamento. "O sabonete comum pode fazer a mesma higienização e nem os que são feitos especificamente para a higiene íntima estão livres de causar algum tipo de alergia", previne Medeiros.
Para Carvalho, o uso de sabonetes íntimos para tratamento ou prevenção de doenças não tem respaldo científico. "Como a região genital feminina é muito mais sensível aos alérgenos, o que se pretende é que os sabonetes utilizados sejam os mais neutros possíveis. Eu receito para muitas pacientes que usem sabonetes feitos para bebê, por exemplo", comenta.
Já de acordo com Pellini, o uso de sabonetes líquidos feitos para a higiene íntima é recomendável diariamente. "Hoje sou extremamente a favor, porque uma mulher não usa sabonete intimo somente para higiene, mas também para se preparar para uma relação sexual. É algo que contribui para a auto-estima", opina.
O consenso entre os especialistas é que a higiene seja feita somente na parte externa da genitália. Lavagens internas, como as tradicionais duchas vaginais, podem prejudicar a defesa natural do corpo.
Outra recomendação expressa dos médicos é não usar absorventes diariamente, a não ser durante o período menstrual. "Os protetores de calcinha só protegem a calcinha, mesmo", ironiza Pellini.
Para manter a saúde da vagina é preciso deixar que a pele respire, lavar a região depois de evacuar e depois de ter relações sexuais, além de evitar o uso de desodorantes, cremes ou qualquer tipo de produto que possa causar alergia.
Outra dica é tomar cuidado com o uso de papéis higiênicos. Eles servem para absorver a urina e deve-se evitar esfregá-los na pele a fim de que não machuquem a região genital.
Hábitos como dormir sem calcinha e urinar depois do ato sexual também são extremamente importantes para a higiene íntima. E para saber se o corrimento é só lubrificação excessiva ou motivo de alerta, basta seguir esta lógica: se não provocar coceira, dor, ardência, cheiro ou algum outro incômodo, você não precisa se preocupar.

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