Tal como os adultos, os bebês podem lembrar de mais coisas agrupando objetos em conjunto, segundo estudo pelo site Live Science. A constatação mostra que a memória de curta duração dos bebês funciona de forma similar à dos adultos, que rotineiramente quebram informações em partes para lembrar mais facilmente delas. A descoberta indica que este truque para memorizar não é o resultado de um aprendizado e sim uma habilidade inata do homem.
Adultos dividem números de telefone, números de documentos e até mesmo listas de supermercado para recordá-las mais facilmente. Os investigadores queriam saber se esta era uma técnica aprendida ao longo do tempo ou se era construída em nosso sistema de memória.
Então, os psicólogos Lisa Feigenson e Justin Halberda – da Universidade Johns Hopkins de Baltimore – realizaram testes com bebês para ver como as suas memórias trabalhavam. Eles descobriram que crianças de 14 meses de idade poderiam sentir falta mais facilmente de brinquedos escondidos, e lembrar de um maior número deles, se estes objetos fossem divididos em grupos.
“Nossos resultados dizem que você não precisa ser ensinado para utilizar estas estratégias”, disse Feigenson. “Se os bebês – que ainda não têm muita habilidade de linguagem e não foram instruídos para realizar a tarefa – mostram que podem fazer isso, vemos que esta é uma característica muito precoce do desenvolvimento da memória. A pesquisa nos diz que é algo fundamental na arquitetura da memória no cérebro.”
Em um experimento, os pesquisadores mostraram quatro brinquedos aos bebês e, em seguida, esconderam os objetos em uma caixa, retirando secretamente dois dos brinquedos. Logo depois, eles permitiam que os bebês olhassem dentro da caixa. Os cientistas esperavam que os bebês ficassem olhando a caixa por um longo tempo, caso recordassem que deveriam existir quatro brinquedos nela.
E, de fato, os bebês olhavam a caixa com curiosidade. Mas os pesquisadores descobriram que as crianças olhavam por mais tempo se os quatro brinquedos colocados no início fossem de dois tipos diferentes (dois gatos e dois carros), e um de cada tipo fosse retirado, do que se os quatro brinquedos fossem iguais (quatro gatos). Os pesquisadores concluíram que os bebês classificavam os itens em grupos familiares para ajudar a lembrar quantos brinquedos havia.
Em outra experiência, os cientistas mostraram aos bebês seis bolas cor de laranja idênticas e, em seguida, colocaram-nas em uma caixa, escondendo secretamente alguma delas. Quando os cientistas separavam as bolas em três grupos de duas antes de escondê-las, os bebês foram capazes de lembrar dos seis itens. Este teste mostrou que crianças de 14 meses de idade podem utilizar o agrupamento espacial para reforçar a sua memória de curto prazo.
O estudo indica que a capacidade e as técnicas da memória de curto prazo de bebês e adultos são mais parecidas do que os cientistas pensavam.
“Uma das maiores dúvidas de filósofos e psicólogos está relacionada à equação: habilidades inatas versus influências ambientais agindo em um organismo. A pergunta é: quanto a mente muda entre a infância e a idade adulta?” diz Feigenson. “A primeira impressão é que a mente muda muito com o tempo, e realmente ocorre um enorme desenvolvimento dela. Existem, no entanto, muitos aspectos que permanecem constantes durante toda a sua evolução.”

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