Segundo o neurocirurgião Mauricio Mandel (CRM 116095), formado pela USP e membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), qualquer queda ou um galo na cabeça do bebê é motivo de pânico para muitos pais e na maioria das vezes devem ser levados a sério. “Se o bebê leva um tombo grande do sofá, da cama, do trocador, da banheira ou do berço, por exemplo, ele deve ser examinado por um médico com muita atenção para verificar se há ou não alguma lesão séria”, explica.
É importante fazer um exame detalhado para analisar se com a queda teve ossos quebrados ou lesões internas. “As quedas podem ser muito graves em bebês, mas a boa notícia é que assim como os ossos são mais flexível, a cabeça do bebê também é mais resistente, o que diminui as chances de traumatismo”, afirma o neurocirurgião.
Se o seu bebê caiu e não chorou e parece estar bem, provavelmente a queda não provocou consequências graves. Mas é importante ficar atenta pelo menos durante as 24 horas seguintes ao seu bebê para verificar alguma anormalidade, especialmente se ele bateu a cabeça. Os pais precisam estar atentos também a intensidade da queda e da pancada, porém, o local onde ela ocorreu também deve ser considerado. “A região moleira é uma das áreas mais sensíveis do bebê, qualquer pancada atrás das orelhas e na lateral da cabeça precisam ser diagnosticadas, pois é ali que as artérias podem se romper e criar hematomas”, revela Mandel. Se houver choque nessa região, observe se a moleira incha ou afunda.
Após a queda pode dormir ou não?
Uma preocupação que aflige muitos pais é se a criança pode dormir ou não depois de uma pancada. Mandel revela que se a criança dorme logo em seguida pode dificultar a identificar os sintomas caso tenha ocorrido uma lesão grave. “Depois de todo o estresse e choradeira da queda, o seu filho pode ficar cansado e querer dormir. Deixe que o seu filho descanse pelo menos durante uma hora, e procure acordá-lo para verificar se está tudo bem”, recomenda.
Mas fique atento ao sono do seu bebê. O que não pode ocorrer é um sono muito profundo por mais de três horas seguidas, em que a criança não acorda logo que você chama ou para mamar.
Conversar é a melhor maneira de prevenir
Se o seu pequeno já sabe se comunicar, após uma queda ou pancada pergunte se ele está tonto, enjoado, onde dói e se está com sono. Caso você não esteja perto na hora do acidente, pergunte para quem viu: o que ele estava fazendo quando caiu, de que altura e de onde caiu, qual parte da cabeça bateu. Agora, se o seu filho ainda é bebê, tome precauções. “Se o seu bebê ainda dorme no berço, regule de maneira correta, conforme seu filho comece a ficar em pé ou se apoiar. O ideal é colocar a grade acima da linha dos mamilos, para evitar quedas, e retire do berço tudo o que pode servir de apoio”, aconselha o neurocirurgião.
Se ele já está grandinho é importante que durma numa cama adequada para a criança e não dividir a cama com os pais. Uma pesquisa da London School of Hygiene and Tropical Medicine apontou que bebês que dormem com os pais têm risco maior de sofrer a síndrome da morte súbita, que é uma das principais causas de morte de bebês com menos de um ano em países desenvolvidos. O estudo analisou dados de mais de seis mil crianças e concluiu que bebês de até três meses estão no principal grupo de risco.
Quando procurar um pronto-socorro?
O neurocirurgião Mauricio Mandel explica em quais situações você deve levar o seu filho com urgência num pronto-socorro para um atendimento médico. Veja quais são elas:
- Quando houver sinais de fratura, braço ou perna desalinhados, pulso torto, dor quando o bebê apoia o braço no chão ou faz algum movimento;
- Se o bebê estiver respirando, mas não reage quando você fala com ele, ou se você não conseguir acordá-lo;
-Se o pequeno estiver sangrando e você não conseguir parar o ferimento;
-Se o bebê desmaiar após a queda ou pancada;
-Se ele continuar chorando e reclamando de dor após uma hora do tombo;
- Se o bebê tiver um corte que pareça profundo, procure imediatamente um atendimento médico.

Fonte – Mauricio Mandel (CRM 116095), neurocirurgião formado pela USP e membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN)

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