Segundo o angiologista Ary Elwing (CRM-22.946), especialista em cirurgia vascular periférica e tratamento a laser, as varizes da gestação são mais comuns nas pernas, embora possam ser observadas em qualquer parte do corpo. “As varizes podem causar dor, sensação de peso e inchaço nas pernas, principalmente, no período da tarde. E a partir do momento que evoluem de grau leve para moderado, provocam piora dos sintomas. Manchas escuras acompanhadas de prurido, crises de eczemas, processos alérgicos e celulites crônicas (inflamação do tecido gorduroso) também podem surgir”, explica.
Ao contrário do que muitos pensam a gestação não é a responsável pelo aparecimento das varizes, ela só piora um problema já existente. “Muitas vezes, as varizes são imperceptíveis porque estão abaixo da pele e são pequenas não causando dor. Isso faz com que a gestante, às vezes, nem saiba que é portadora do problema. E com o agravamento durante a gestação, muitas mulheres começam a associar o problema à gravidez, porém a gestação pode apenas agravar o quadro”, revela Ary Elwing.
As principais complicações
A causa para o agravamento das varizes está relacionada à ação dos hormônios, necessários para a manutenção da gestação. “A pressão que o útero exerce sobre a veia cava que passa ao lado da coluna vertebral, cria um obstáculo para a circulação de retorno venoso, que acaba se acumulando e dilatando os vasos sanguíneos dos membros inferiores. Além disso, o estrogênio e a progesterona apresentam efeito vasodilatador”, destaca o angiologista.
Além da dor e do inchaço nas pernas, se a gestante não seguir com alguns cuidados, as varizes podem piorar e causar outros problemas como:
Úlcera de estase: ocorre pelo sangue parado no vaso, levando a fragilidade do mesmo. “A úlcera venosa surge depois de longa evolução do problema de varizes. É uma ferida que pode ter uma grande extensão, até atingir grande parte da perna da paciente”, ressalta o angiologista.
Tromboflebite superficial: consiste na inflamação da parede da veia com formação de coágulo no seu interior. A veia torna-se endurecida, avermelhada, quente e muito dolorosa. “Quando esse processo ocorre nas veias safenas, o trombo pode progredir para o sistema venoso profundo e causar uma trombose venosa profunda e embolia pulmonar”, garante o angiologista.
Varicorragia: é caracterizada por um sangramento e rompimento de uma veia varicosa. Em geral ocorre naquelas dilatações venosas mais superficiais com parede muito fina.
Eczema varicoso: ocorre uma lesão avermelhada e descamativa na pele no terço distal das pernas. Acompanhado de prurido (coceira).
Hiperpigmentação: são manchas escuras que se localizam nos pés, tornozelos e terço distal das pernas causadas pelo depósito de produtos do sangue acumulado. Essas manchas interferem na estética e não desaparecem após a operação de varizes.
As varizes visíveis surgem lentamente. O edema começa a aparecer no final do dia, depois a pigmentação e o eczema se manifestam. Na fase mais avançada da doença, podem ocorrer as tromboflebites e a presença de úlceras e varicorragias. “As complicações mais frequentes são as tromboflebites, úlceras de perna, hiperpigmentações, eczema venoso, hemorragias, fibrose, dermatite ocre, infecções e a temível embolia de pulmão. Normalmente esses quadros ocorrem em pacientes em que o problema está presente por um bom tempo”, alerta o médico.
É possível impedir as varizes?
As gestantes devem aguardar o parto para iniciar um tratamento para as varizes. No entanto, é possível tomar algumas medidas preventivas para controlar este problema durante a gestação. “Fazer atividade física leve, como caminhada ou hidroginástica. Evitar o excesso de pressão sobre as pernas, não ficar muito tempo de pé, colocar as pernas ligeiramente elevadas ao sentar para facilitar a circulação sanguínea de retorno, usar meias elásticas e controlar o ganho de peso podem ajudar a controlar as varizes na gestação”, diz o angiologista.
Ao completar 90 dias pós-parto, as varizes tendem a diminuir. Porém, quando a gestante apresenta veias dilatadas nos membros inferiores durante a gravidez, ela permanecerá com o problema em algum grau, sendo necessário buscar tratamento. Depois de dois meses após o nascimento do bebê, se as varizes ainda persistirem é um sinal que devem ser tratadas. É preciso consultar um cirurgião vascular para comprovar o tipo, o aspecto, a localização e as possíveis complicações das varizes. “O método mais usado para tratar as varizes antiestéticas é o laser transdérmico, um tratamento simples, rápido e muito efetivo que se realiza em poucas sessões e sem necessidade de repouso. Já a escleroterapia química também é uma forma de tratamento em que se aplica uma substância para secar a veia. Esse tipo de tratamento só deve ser feito após o desmame do bebê”, afirma Ary Elwing.
Em alguns casos, as veias apresentam chances de regredir em três ou quatro meses após o parto, sendo desnecessário o tratamento.

Fonte- Angiologista Ary Elwing (CRM- 22.946), especialista em cirurgia vascular periférica e tratamento a laser

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