Será que já é à hora?

 

Na última noite do ano de 2008, em meio a abraços, foguetório, champanhe, sete ondas, resoluções bem intencionadas e definitivas, Carolina, mãe atenta e observadora, só pensava em uma coisa – na hora de tirar as fraldas da Bruninha, a essas alturas com quase dois anos de idade. Quem a visse circulando pela casa, entre familiares, com uma taça flûte na mão, erguendo brindes, certamente pensaria que ela traçava planos mirabolantes para o futuro e, no entanto, Carolina estava totalmente fixada na filhota e em como ajudá-la no delicado momento da vida que se avizinhava. Já que o dia seguinte ao réveillon seria feriado, um compromisso maior teria que esperar até o dia 2 de janeiro.

 

Enquanto a turma se refestelava ao sol, enforcando a sexta-feira, Carolina abdicou da companhia de todos, entrou no carro, foi direto ao shopping mais próximo e lá fez a primeira compra do ano: um penico musical!

 

Na volta para casa, ainda no carro, um filme passava na cabeça da mãe: o da filha reagindo diante da novidade. Educar tem dessas coisas, pensava ela numa virada de esquina. Disposta a não abandonar os seus planos, coração acelerado, chegou em casa carregando o precioso embrulho e o que Bruna nem de longe poderia imaginar era que por baixo daquele papel rosa laminado estava o começo de uma incrível transformação na sua vida. Ela estava crescendo e aquele seria um verão diferente. Um verão repleto de sol, praia, banho de mar, castelo de areia, família unida e muito aprendizado. Um verão livre das fraldas. O verão que Bruna aprenderia a usar o peniquinho. Um verão com trilha sonora a cada xixi e coco.

 

Carolina, alertada pela sua sensibilidade materna, estava certa de que era chegada a hora de tirar as fraldas da filhota, mas como responder às demais mamães que entre aflitas e angustiadas indagam: “qual é mesmo o momento correto?”, ai..ai…ai …Será que está na hora?
Não são raras as conversas entre as mães-coruja na saída das creches, nos aniversários, nos encontros em parques, em passeios despretensiosos, a respeito das façanhas dos seus filhos. Mãe por mãe, tia por tia, avós por avós, escutam de outras mães, de outras tias, de outros avós, as manifestações de brilho e talento das suas crianças e debatem de maneira acalorada sobre a escolha do melhor período para retirada das fraldas.

 

Quando se deve tirar a fralda?

 

Para auxiliar nessa empreitada, escutamos o depoimento de pessoas experientes no assunto. Elas nos alertaram que geralmente aos 2 anos a criança está pronta para iniciar o processo, embora exista alguma variação entre uma e outra e esta deve ser respeitada. Esse momento não deve ser uma decisão única e exclusiva dos pais baseado no fator idade, mas sim no resultado de uma observação dos pequenos sinais emitidos pela criança. São estes sinais que vão possibilitar que os pais percebam os indícios de que a hora do desfralde chegou:
- A criança tem consciência e informa de alguma maneira a vontade de ir ao banheiro. Pode ser através de gestos ou expressões ou manifestações vocais.
- Torna evidente o quanto se incomoda em usar as fraldas. Pede para ficar sem elas ou tenta tirá-las.
- Sinaliza que a fralda está molhada ou suja e evidencia o seu desgosto com essa sensação.

- Demonstra a vontade de ir ao banheiro com alguém próximo: pai, mãe, irmão. Normalmente, a menina gosta da companhia de uma figura feminina, na maioria dos casos da mãe. Assim como o menino, do pai. Querem ver e imitar o que os mais velhos fazem.

 

O que fazer quando a hora chegar?

 

A fralda nunca deve ser retirada à força e de forma abrupta. A criança, acima de tudo, deve ter a sua vontade respeitada e obedecida em um processo gradual, a fim de que a adaptação se dê sem traumas. Antes de qualquer decisão, os pais devem conversar com os seus filhos sobre essa nova fase através de uma linguagem que seja clara ao seu entendimento. A mudança deve ser feita respeitando o ritmo e a individualidade de cada um.

 

Decidido o momento, muita paciência. Certamente, muitos “acidentes” vão acontecer durante todo o processo de aprendizagem, sendo necessário, muitas vezes, uma dose extra de persistência. Por isso, muitos pais acabam escolhendo os meses mais quentes e as férias para fazer a experiência.
Parece um processo simples, mas são muitas as novidades para os pequenos. Acima de tudo, a criança precisa se sentir amada e respeitada.

 Tome nota e facilite a transição da fralda para o penico

 - As crianças precisam se familiarizar com as sensações que indicam a vontade de ir ao banheiro.

- A criança necessita aprender a controlar os seus esfíncteres para segurar ou eliminar o xixi e o coco.

- No começo, utilizar a fralda durante a noite para evitar que o pipi escape e a cama fique molhada. Com o tempo, se a fralda permanecer seca durante algumas noites seguidas, ela pode ser retirada.

- Durante o dia, oferecer várias vezes à criança o banheiro, para incentivar o xixi no banheiro e evitar que ele escape. Fazer isso principalmente logo após a criança ingerir uma quantidade grande de líquidos.

- Se estiver frequentando uma escolinha, avise a professora responsável sobre a nova fase. Mande troca de roupas extra na mochila do seu filho.

- A higiene da criança é fundamental.

- Associe a ida ao banheiro como uma coisa boa e não com expressões e coisas ruins como nojento, fedido, caca, eca.

- Faça com que o seu filho comece a tirar a sua própria roupa para ir ao banheiro.

- O tempo de aprendizagem do xixi é diferente do coco. Então, nessas horas, os hábitos são excelentes aliados para o controle da hora em que seu filho deve sentir a vontade de evacuar. Ofereça o banheiro a ele.

- Deixe a porta do banheiro aberta para que a criança não se sinta isolada e perceba que esse é um ato comum.

- Comemore com o seu filho sempre que ele for ao banheiro na hora certa e toda vez que ele avisar que tem vontade de ir.

- Deixe a criança puxar a descarga ou deixe ouvir a música do penico quando fizer xixi ou coco. Essas ações também fazem parte do treinamento.

- Nunca retarde a ida de uma criança ao banheiro. Faça com que seu pedido seja atendido imediatamente.

- Meninos e meninas aprendem a fazer xixi sentados. Só depois de adquirido o controle é que os meninos aprendem a fazer xixi em pé.

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