Ligia Kogos*

  • MICOSES NOS PÉS

      Os fungos causadores das micoses proliferam-se em zonas quentes e úmidas. Por isso são tão comuns no verão, especialmente nos pés, zona que transpira muito, fica normalmente fechada nos calçados e em íntimo contato com pisos úmidos e areia. Aparecem especialmente entre os dedos ou na planta dos pés.

Causam descamação, bolhinhas e coceira intensa. Entre os dedos dos pés aparece a pele esbranquiçada e muito pruriginosa, o famoso “pé de atleta”.

A prevenção se faz com talco principalmente, pois este absorve a transpiração e umidade. Calçados abertos, sandálias arejadas, favorecem a ventilação e diminuem as chances de micose, mas cuidado com materiais plásticos . Estes podem piorar a situação, pois aumentam a umidade e o calor local. Antitranspirantes (desodorantes antitranspirantes) podem ajudar muito se aplicados regularmente nos pés.

Com tênis, o correto é usar meias de algodão que absorvem a transpiração. Sem meias os tênis se tornam “forninhos” de criação de fungos.

 

  • MICOSE “DE PRAIA” OU “PANP BRANCO”, A FAMOSA PITIRÍASE VERSICOLOR .

             Esta conhecida micose, extremamente comum, conhecida popularmente como “pano branco”, é resultado da infecção pelo fungo Malassessia furfur, que se alimenta da queratina da pele. A maioria das pessoas crê erroneamente que se trata de uma micose de verão, pois se evidência na forma de manchas redondas claras que contrastam com a pele bronzeada. De fato, os fungos já estão na pele desde o outono ou inverno, em peles muito claras é possível visualizar manchas róseo-acastanhadas discretas nas costas e ombros.

            Como não coçam passam desapercebidas até que o bronzeado do verão contraste com as zonas afetadas que se tornam brancas e descamativas. (daí o nome “versicolor”, devido às várias cores que pode assumir).

O curioso é que há indivíduos mais vulneráveis a este tipo de micose, que a contraem todos os anos, apesar de tratá-la corretamente, enquanto há outros que jamais a contrairão por toda a vida, inclusive sendo da mesma família que os “vulneráveis”. Parece que essas pessoas preferidas pelos fungos têm imunidade alterada para este fungo particular, ao contrario de outras doenças, a cada vez que contraem a micose ficam mais fragilizados em relação a ela, mais predispostos a contraí-la outra vez.

Estas pessoas podem preveni-la usando periodicamente, mesmo sem estar contaminado, sabonete à base de enxofre e acido salicílico na hora do banho, com bucha, nas costas. O tratamento é feito pelos dermatologistas com shampoos e loções antimicóticas e, em muitos casos, comprimidos tomados por cerca de 1 mês. 

 

  • MICOSE DE UNHAS, A “ONICOMICOSE”.

            A micose de tratamento mais lento é esta, quando os fungos atacam as unhas, preferencialmente dos pés, onde a pressão dos sapatos e traumatismo constante predispõe a isso. Os dedões dos pés são preferidos pelos fungos, especialmente nos cantos onde o bico fino dos sapatos faz mais pressão.

            As condições locais de tornam favoráveis ao crescimento dos microorganismos, que ao se proliferarem, vão lentamente modificando a unha, que se torna espessa, esbranquiçada ou amarelada e grossa, com acúmulo de material que se assemelha a um farelo sob as unhas. Podem evoluir durante anos causando sérias alterações, com unhas completamente deformadas, cinzentas, crescendo de maneira irregular, fazendo surgir constantes encravamentos das unhas dos dedões, com dor e inflamação.

            O tratamento é à base de antimicóticos via oral e locais, na forma de esmaltes antimicóticos, cremes e loções. Quando as unhas já estão muito grossas, os dermatologistas fazem curativos com cremes que amolecem e amaciam estas unhas, deixados por 24 horas e depois as desbastam completamente, com facilidade e sem nenhuma dor, fazendo com que se tornem apresentáveis de um dia para outro e facilitando enormemente a penetração dos medicamentos.

A prevenção se faz com corte e higiene regular, evitando calçar sapatos com os pés úmidos, evitando traumatismos, e usando cremes que amaciem os pés, contendo uréia, acido salicílico, para evitar que a pele engrosse muito na região dos dedos.

Talco e spray antimicóticos podem ser usados regularmente por pessoas sujeitas a traumatismos constantes ou com facilidade para a onicomicose, como os jogadores de futebol, atletas, pessoas que usam sapatos mais justos, etc.

 

  • HERPES SIMPLES 

            O Herpes acomete milhares de pessoas periodicamente, depois que se instala no organismo. O sol serve de fator desencadeante para quem já tem o vírus armazenado em si próprio, e, ao tomar sol demais ou sem a proteção adequada, há lesão na pele, caindo a resistência local e então o vírus ataca! Isto acontece freqüentemente nos lábios e nas nádegas. Nos lábios a pele é particularmente delicada e agredida pela radiação ultravioleta se torna vulnerável ao vírus.

Aparecem como bolhinhas que ardem e são sensíveis e vão secando através da formação de pequenas crostinhas escuras que depois de cerca de 8 dias desaparecem , para numa próxima ocasião retornarem. Importante frisar que as lesões são contagiosas através de contacto íntimo, como o beijo, por exemplo, para outras pessoas, desde cerca de um dia antes de seu franco surgimento, e continuam com o poder de infectar até desaparecerem completamente.

            O tratamento é à base de medicamentos antivirais via oral e pomadas locais, além de moduladores da imunidade, para que a pessoa adquira mais resistência às infecções.

            A melhor prevenção é a proteção solar com filtros 25 ou mais, em forma de creme ou batons incolores com proteção solar. Para quem for ficar várias horas exposto, um boné, viseira ou chapéu também são indispensáveis para não deixar o sol lesar a pele.

 

  • BICHO GEOGRÁFICO 

Uma das infecções que tiram o encanto dos dias na praia é o “Bicho Geográfico”, cientificamente chamado de Larva migrans. Caracteriza-se por intensa coceira, às vezes desesperadora, localizada em erupção que forma trajeto serpiginoso, como se fosse um desenho de um “riozinho” e ocorre com freqüência em pés, ou em qualquer região que fique contato mais prolongado com a areia, como em nádegas dos bebês, por exemplo.

            O Bicho Geográfico é causado pela penetração de um verme, o Ancilóstoma, pela pele e seu posterior deslocamento, isto é, a larva vai andando, dentro dessa mesma pele do hospedeiro, desencadeando desconfortável coceira e até dor, quando há infecção secundária por bactérias.

            Muitas vezes, ocorre infestação múltipla, por várias larvas ao mesmo tempo. No início torna-se até difícil o diagnóstico, pois aparecem várias bolinhas vermelhas em vários pontos dos pés ou das nádegas, confundindo-se com micose ou alergia. Dias depois as larvas vão caminhando sob a pele e se delineiam os trajetos em forma de “caminhos” e a coceira chega a ser insuportável.

            O tratamento é à base de pomadas com tiabendazol, e, nos casos de múltipla infestação, também com comprimidos de tiabendazol ou vermífugos via oral. Ajuda-se a aliviar o desconforto com antialérgicos, os anti-histamínicos e aplicando pedras de gelo envoltas em um saquinho plástico, acalmando o prurido.

            Este verme está oculto em meio à areia da praia, devido à contaminação desta areia por fezes de cachorros. Por isso é tão importante que todos se conscientizem da inconveniência de se levar animais à praia. O cão pode contaminar, assim como pode ser contaminado. Mesmo que o cachorro seja muito bem cuidado, faça exames de fezes periódicos e visite o veterinário com freqüência. Se ele for à praia, além de ele estar exposto à contaminação, você estará incentivando outras pessoas a também levarem seus cães, muitas vezes, não tão bem cuidados como o seu.

 

            No próximo número seguiremos com mais informações sobre pele e cuidados essenciais . Até mais….

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